Crítica | Kingsman: Serviço Secreto

Crítica | Kingsman: Serviço Secreto

Ação, aventura e comédia estão muito bem balanceadas e organizadas neste roteiro magistral de Matthew Vaughn e Jane Goldman, dupla responsável pelos ótimos Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010) e X-Men: Primeira Classe (2011). Com este background, a receita de Kingsman – Serviço Secreto não poderia ser diferente de ótima, além de uma deliciosa homenagem a todos os filmes de agendes secretos, como James Bond e Jason Bourne.

Desde o início, somos brindados com cenas divertidas e bem executadas de combates e lutas, ornamentadas com guarda-chuvas e utensílios finíssimos de alta periculosidade, além de um roteiro bem amarrado. Com seu tom contido e encantador, Colin Firth dá vida ao agente Harry Hart ou Galahad e junto com uma elenco de peso realiza um dos melhores filmes do ano.

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Se não bastasse o ganhador do Oscar pelo insosso O Discurso do Rei (2010), o vilão da história fica por conta de um inspirado Samuel L. Jackson e o prodigioso novato, de 25 anos, Taron Egerton. Além do sempre qualificado Michael Caine e a vilã com pernas de espadas Gazelle (Sofia Boutella). Não vejo nada assim desde a metralhadora na perna de Cherry Darling (Rose MacGowan) em Planeta Terror (2007).

Se você ficou maravilhado com o primeiro Kick-Ass, com certeza, vai adorar as tiradas de Kingsman. A trama se desenvolve com a perda de uma dos membros da associação secreta de cavalheiros britânicos. Agora, cada membro deve selecionar um jovem para ocupar a cadeira, Hart escolhe o problemático Eggsy (Egerton), filho do homem que salvou sua vida em combate. Enquanto os jovens disputam um posto de agente, a associação tenta descobrir o porquê de misteriosas mortes e desaparecimentos de celebridades.

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Do outro lado dessa história, o multimilionário e empresário Valentine (Jackson) desenvolve um plano genial para salvar o planeta Terra, ou melhor, preservá-lo dos humanos. Descobrimos suas intenções numa hilariante cena dentro de uma igreja, que compõe um frenesi poucas vezes vistos e feito para aplaudir de pé. A cena nos lembra o melhor do sátiro Quentin Tarantino. A partir disso, o filme expõe toda a sua violência e a inconfundível habilidade de Matthew Vaughn para gravar uma bela cena de luta e sangue.

É um processo catártico acompanhar o desenrolar da trama que não poupa ninguém, nem os estômagos mais fracos. O vilão cômico é tão bem desenhado por Samuel L. Jackson que torcemos por mais cenas com ele, aguardando a próxima risada frouxa sacada do nosso ventre. O jovem Egerton também desempenha brilhantemente seu papel e nos agrada com saltos e destreza, fora uma ótima interpretação.

Se prepare para ver um filme totalmente diferente do roteiro padronizado de Hollywood. Como os personagens mesmos afirmam, este não é esse tipo de filme, isto é, em que o mocinho sempre foge e o vilão demora horas para morrer em uma luta totalmente sem credibilidade. As resoluções são ótimas, quando você não imagina qual é a saída, pode deixar que Vaughn pensou direitinho em como te surpreender. São raros, contudo, bons, divertidos e inovadores filmes ainda existem.

Nota: 5

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