Crítica | Para Sempre Alice

Crítica | Para Sempre Alice

Lidar com uma doença degenerativa é um fardo pesado para os humanos tão centrados na sua capacidade e desenvolvimento cognitivo. Este é o tema principal de Para Sempre Alice (Still Alice), que apresenta o ponto de vista da própria paciente tentando lidar com a alteração do Mal de Alzheimer na sua vida ao longo do tempo.

O ossunto já foi trabalhado em outras belas produções como Longe Dela (2006), de Sarah Poley, e Diário de Uma Paixão (2004), de Nick Cassavetes, no entanto, os diretores Richard Glatzer (falecido esta semana) e Wash Westmoreland trouxeram a perspectiva em primeira pessoa, diferente das outras narrativas periféricas.

Baseado no romance da neurocientista Lisa Genova, o filme é bastante arrastado e tem como grande trunfo a interpretação contundente e emocionante de Julianne Moore, tanto que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz este ano. A preparação da protagonista para uma vida confusa e sem sentido é algo bem profundo, ainda mais quando o cérebro sempre foi sua principal ferramenta de trabalho.

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Os coadjuvantes Alec Baldwin e Kristen Stewart estão bem ao redor do caos, mas não tão inspirados como a protagonista. Os acontecimentos se desenvolvem em sequência, evidenciando o processo da doença, entretanto, torna a narrativa lenda e pouco atrativa.

Destaco uma brilhante cena em que Alice descobre o vídeo que ela gravou para si mesma com recomendações para se matar, caso não se lembrasse mais daquela gravação. De forma inocente, Alice segue as suas instruções, mas perde os pontos a cada nova tentativa de encontrar as pílulas dentro da gaveta. É uma cena angustiante, tensa e um dos poucos momentos que nos predemos a narrativa.

Por um lado Julianne Moore nos faz mergulhar no drama de Alice, por outro os diálogos com os filhos e o marido soam vazios e monótonos. O que nos leva a constatação que já vimos esta história antes, mas melhor contada.

A direção é regular, nos remete a filmes feitos para TV, digo isso não para desmerecer as produções televisas, mas para lembrar daquela linguagem padrão, com cortes secos e pouca criatividade de edição. Até os telefilmes, no entanto, já estão mudando essa estagnação estrutural.

Apesar de a personagem ser forte e nos levar para o seu drama pessoal, a produção nos impele a permanecer de fora, esperando o roteiro chegar a um lugar inócuo. Para Sempre Alice conta uma potente história de luta do ser humano contra sua própria natureza frágil, mas não consegue cativar o público de forma a ser torna um grande filme sobre o importante tema.

Nota: 3

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