Crítica | Vingadores: Era de Ultron

Crítica | Vingadores: Era de Ultron

Após três anos da última reunião entre os heróis da Marvel, com um filme arrebatador, as expectativas do público para Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron) estavam na estratosfera. Se contarmos com o sensacional Capitão América: O Soldado Invernal (2014), então, não cabia espaço para desapontamentos. Manter o mesmo ritmo com tantos filmes é um desafio desgastante para os roteiristas da Marvel, que se desdobram para amarrar o tom cômico a momentos de emoção, trama política e ferozes batalhas.
A sequência inicial apresenta ótimas cenas de combate dos heróis, como todo mundo esperava, cheia de efeitos especiais e pitadas de humor. O começo é uma continuação das descobertas de Capitão América 2, com a dissolução da S.H.I.E.L.D. e o nascimento da companhia Avengers. Juntos, os vingadores estão na missão de recuperar o cedro de Loki, em poder da Hydra, além de descobrirem suas armas secretas: os gêmeos paranormais Pietro Maximoff/Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) e Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen).
avengers-age-ultron4
Com o resgate do cedro, Tony Stark descobre os planos da Hydra para destruí-los e deseja reverter a inteligência artificial – construída pelo inimigo – para ser seu aliado. Esta decisão independente e soberba é a desencadeadora dos problemas e o novo inimigo dos super-heróis no longa. Assim, podemos começar a perceber as discordâncias entre o Capitão América (Chris Evans) e o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), ápice do próximo filme Capitão América 3: Guerra Civil (prometido para 2016).
Antes de chegar até lá, no entanto, há bastantes mudanças nesta etapa. A primeira delas é a importância dada ao coadjuvante Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). Quem nunca se perguntou com a relevância do personagem entre os seus companheiros, apenas com um arco e flecha? O próprio personagem expõe suas diferenças e desenvolve seu papel na configuração do grupo. Ótimo ponto para integrar o personagem ao sexteto principal.
vingadores a era de ultron1
Por outro lado, é de se questionar o possível romance entre a Natasha Ramanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo), mas apesar dessa construção o filme não desaponta e dá um propósito e uma trajetória para o possível relacionamento dos personagens. Também é estranho o desperdiço de Julie Delpy (Antes da Meia-Noite) em um papel de cinco segundo, espero que seja uma apresentação para um personagem maior. Quem sabe? Ainda, por meio dos poderes telepáticos de Wanda, conhecemos um pouco mais o mundo obscuro dos heróis, que apesar de superpoderosos são humanos, exceto Thor, cheios de erros e fraquezas.
As tiradas engraçadas são menores, mas ainda estão presentes. O grande gerador de piadas são o martelo de Thor e os modos antiquados do Capitão América. O filme, no entanto, pede muito mais seriedade, afinal de contas várias cidades são destruídas por causa da intervenção dos Vingadores e uma guerra está a caminho. Desta vez, infelizmente, não contamos com um vilão irreverente como Loki (Tom Hiddleston), mas Ultron (James Spader) cumpre seu papel muito bem, mesmo sem empatia.
vingadores-22
Num todo, o enredo soa um tanto quanto repetitivo. A batalha final, por exemplo, é semelhante a do primeiro filme. O lado bom é que a Marvel novamente monta uma história lúdica com o pé na realidade, aproximando o público do seu mundo. Isso pode ser visto em várias sequências quando os heróis interagem com as “pessoas normais”, até quando o poderoso Hulk recebe um mandado de prisão por “bagunçar” em Johanesburgo. Aliás, as cenas do Homem de Ferro tentando conter o Hulk são hilárias.
Vingadores: Era de Ultron mantém a qualidade, explora menos seus momentos cômicos, mas não perde o timing, contrapondo bem o drama com a diversão. O filme é importante para o começo da divisão do grupo, introduz Feiticeira Escarlate e Mércurio, que merecem destaque, acrescenta camadas às personalidades dos protagonistas e nos deixa mais ansiosos para suas próximas incursões. A sensação de êxtase, no entanto, não é mais a mesma de antes.

Nota: 3.5.

Share this: