Crítica | Maze Runner – Prova de Fogo

Crítica | Maze Runner – Prova de Fogo

Após diversos pontos entreabertos deixados no primeiro filme Maze Runner – Correr ou Morrer (2014), a continuação prometia algumas explicações. Mas não se engane. O mistério da Clareira e do Labirinto era o grande frescor da franquia baseado na trilogia de ficção científica distópica de James Dashner. Do lado de fora, a história é uma mistura de tudo um pouco que já vimos por aí, para citar alguns: Divergente (2014), Jogos Vorazes (2012) e Guerra Mundial Z (2013).
Apesar de conhecermos a lógica de adolescentes valentes se rebelarem contra um sistema tirano em uma era pós-apocalíptica, Maze Runner – Prova de Fogo (Maze Runner: The Scorch Trials) é um bom entretenimento, pois tem boas cenas de ação e tensão. A sequência acompanha Thomas (Dylan O’Brien), Minho (Ki Hong Lee), Teresa (Kaya Scodelario), Newt (Thomas Brodie-Sangster), Frypan (Dexter Darden) e Winston (Alexander Flores) após deixarem a Clareira.
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Eles são levados para um lugar seguro, onde finalmente têm cama e comida, no entanto, nem tudo que reluz é ouro. Desconfiado da boa intenção da “nova” equipe comandada por Jason (Aidan Gillen), Thomas com ajuda de Aris (Jacob Lofland) e seus amigos, descobrem os reais planos da organização e resolvem escapar para um mundo desconhecido. Eles, claro, conseguem fugir. Somente, entretanto, porque a vida dos meninos é poupada a todo custo, uma vez que eles são a cura para a praga que devastou o mundo ao qual conhecemos.
Durante a narrativa, esta premissa, no entanto, é refutada e não faz coerência com o primeiro longa-metragem. Afinal, os meninos enviados para Clareira eram exatamente os descartados pela C.R.U.E.L. Aliás, eles mataram boa parte deles no primeiro filme, não é mesmo? Porque, de repente, a vida dos sobreviventes – sendo que existem centenas deles – é tão importante? Se você tem 100 jovens para pesquisar, porque gastar recursos para ir atrás de meia-dúzia? Essas repostas não são dadas nesta segunda empreitada.
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Logo depois de sair do abrigo, eles começam a enfrentar os perigos do mundo “real”. A partir deste momento, o filme se transforma em passagens de fase. Isso porque cada caminho percorrido é um desafio diferente. Primeiro tem zumbis, isto é os cranks, em um shopping abandonado, correndo desesperados atrás de carne fresca. De lá, eles passam por uma concentração de refugiados tranquilos pelas ruas, depois conhecem outra raça de cranks mais deteriorada.
É como se cada parte não encontrasse a outra, são apenas fases a serem passadas. Os argumentos vão caindo conforme transcorre a narrativa. Primeiro, os meninos não são imunes à doença, como pensávamos. Além disso, todos os jovens já foram enviados para campos de concentração quando pequenos e descartados quando visto que não eram imunes. O que já causa uma grande incongruência na lógica.
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Se você quiser compreender a origem de tudo e se atentar aos detalhes, vai se decepcionar. O roteiro possui muitos furos. De acordo com os leitores, a adaptação mudou bastante a estrutura da história, o que pode ter contribuído para a bagunça de informações. Já o protagonista é coerente com o pouco que seu papel pede, seu drama pessoal é sufocado pela aventura e o personagem é colocado como herói sem merecer o posto. Seu único gesto de bravura é rejeitar se deixar “pesquisar” e entregar dados secretos a outra organização.
Quem rouba a cena nesta sequência é Rosa Salazar. No papel de Brenda, a atriz é a corda do filme para trazer um pouco de emoção às cenas e até mais adrenalina, além da participação de Giancarlo Esposito, da série Breaking Bad. Os ambientes são interessantes, assim como os efeitos, mas nada assombroso. A direção de Wes Ball é competente e promete um desfecho melhor que este prelúdio. A produção é divertida, claro, mas é tudo previsível e mal estruturado para prender o espectador interessado na história de Thomas.

Nota : 3/5

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