Crítica | 007 Contra Spectre

Crítica | 007 Contra Spectre

O agente secreto James Bond (Daniel Craig) chega a sua 24ª aventura ainda com fôlego e admiração do público. Novamente comandado por Sam Mendes (007 – Operação Skyfall), o filme começa com uma explosiva cena de ação na Cidade do México durante as festividades do Dia dos Mortos. Com graça e sempre muita habilidade, James trava uma batalha pelas ruas e no céu com o bandido Marco Sciarra (Alessandro Cremona) em um helicóptero.
A sequência inicial realmente consegue criar grandes expectativas, juntamente com os créditos inicias ao som de Writing’s On The Wall, na voz de Sam Smith, contudo, muito aquém da impactante e ganhadora do Oscar, Skyfall, de Adele. Spectre reúne antigos elementos do enredo protagonizado por Daniel Craig, a começar por 007 – Cassino Royale (2006).
007-Spectre-Daniel-Craig-2015-Picture-800x533
Os vilões do passado Le Chiffre (Mads Mikkelsen), Mr. White (Jesper Christensen) e Silva (Javier Bardem) estão interligados por uma organização secreta liderada por Oberhauser (Christoph Waltz). Os seus planos e outros acontecimentos, como a morte de M (Judi Dench), estão todos entrelaçados.
Spectre é o filme para selar todas as pontas deste arco de James Bond, sendo esta a trama mais pessoal do agente secreto. Os conflitos mundiais ocorrem, no entanto, os motivos estão de certa forma ligados ao protagonista. Outra sensação do passado no enredo é a presença do vilão quase muda e muito forte, como o Dentes de Aço em 007 – O Espião que me Amava (1977) e 007 Contra o Foguete da Morte (1979).
Na pele do brucutu silencioso Hinx, o ator David Bautista (Guardiões da Galáxia) apresenta uma das cenas mais divertidas e dinâmicas do longa em uma luta com Bond e Madeleine Swann (Léa Seydoux) dentro do trem. Por falar nela, Seydoux se apresenta como uma das mais sedutoras Bond Girls, no entanto, o roteiro peca em colocá-la como mocinha a ser salva no final de maneira banal. Ela tinha tudo para poder se cuidar sozinha, afinal ela é filha do grande inimigo de Bond, Mr. White.
James Bond (Daniel Craig) and Mr. Hinx (Dave Bautista) battle it out as Madeleine Swann (Léa Seydoux) looks on in Metro-Goldwyn-Mayer Pictures/Columbia Pictures/EON Productions’ action adventure SPECTRE.
Muitos dos pecados de 007 Contra Spectre é a falta de coerência entre os acontecimentos, ou melhor, os motivos superficiais sobre os quais eles se desenrolam. Depois do magistral Silva de Bardem, Waltz – com dois recentes Oscars – soa um tanto quanto desinteressante. Suas ameaças a Bond são mais prolixas do que reais, aliás, em nenhum momento do filme o personagem é realmente ameaçado.
Por outro lado, o relacionamento de Bond com os agentes Q (Ben Whishaw) e Moneypenny (Naomie Harris), e até o novo M (Ralph Fiennes), é melhor elaborado e eles ganham mais destaques. Juntos trabalham para salvar a MI6 e solucionar os casos anteriores da divisão. Isso porque a chegada de C (Andrew Scott) ao departamento estremesse a continuação do programa de agentes como 007, pois ele considera o método obsoleto e danoso. O filme não se estende na discussão homem x máquinas/tecnologia, mas resvala nesta situação.
monica-bellucci-daniel-craig-007-spectre
O desenvolvimento visual do filme é ótimo, com cenas bem coreografas e perseguições estimulantes em México, Itália, Marrocos, Áustria e Inglaterra. O roteiro, entretanto, se prolonga sem necessidade e deixa a desejar em uma melhor elaboração narrativa.
A belíssima italiana Monica Bellucci (Aconteceu em Saint-Tropez) é pouquíssima aproveitada como a viúva de uns dos vilões. Sua aparição em tela é de alguns minutos, dando abertura  para o desenlace da organização Spectre e a deixa para francesa Léa Seydoux (Azul é a Cor Mais Quente) seguir como companheira de Bond.
Christoph Waltz (left) and Leå Seydoux in Metro-Goldwyn-Mayer Pictures/Columbia Pictures/EON Productions’ action adventure SPECTRE.
Já Daniel Craig está mais à vontade e sedutor no papel. Apesar de sempre muito criticado, ele faz bem seus momentos de ação, em contrapartida, não transmite muita emoção ao personagem. O longa valoriza seus símbolos chaves – mulheres lindas e carros turbinados – e mostra o agente criado por Ian  Fleming em busca da própria identidade.
Após o sucesso bilionário de Operação Skyfall é difícil manter as expectativas. Este ano tivemos Missão Impossível 5 muito mais infalível que esta obra no gênero ação/suspense e personagens mais envolventes. Sabemos que James Bond voltará, mas entre altos e baixos.

Nota: 3,5

Share this: