Crítica | Aliança do Crime

Crítica | Aliança do Crime

Mais uma vez Johnny Depp (Mordcai: A Arte da Trapaça) está entre as apostas para os indicados ao Oscar de Melhor Ator por sua contundente interpretação do criminoso James ‘Whitey’ Bulger em Aliança do Crime (Black Mass), de Scott Cooper (Tudo por Justiça). Sua caracterização está excelente e, realmente, mal vemos o semblante do ator por baixo de toda a montagem, o que deve valer também uma indicação na categoria Maquiagem para o longa.
Deixadas as previsões de lado, o drama é baseado no livro homônimo escrito pelos jornalistas Dick Lehr e Gerland O’Neil. Eles cobriram o caso de Whitney na época em que era o maior chefão do crime de Boston e a sua ligação inescrupulosa com o FBI, por meio do seu amigo de infância John Connolly (Joel Edgerton).

Na trama, a história do crescimento do império de Whitney é contato por meio do depoimento dos seus ex-comparsas já detidos John Martorano (W. Earl Brown) e Steve Flemmi (Rory Cochrane), testemunhas e cúmplices de quase 20 homicídios. O primeiro relator é Kevin Weeks (Jesse Plemons), o jovem deixa bem claro a sua resignação em se colocar como um delator, uma vez que é era um sentença de morte para qualquer um relacionado à máfia irlandesa.
Pelo ponto de vista de Kevin, observamos algumas contravenções e intolerâncias de Jimmy Bulger ainda um peixe pequeno no início da década de 1970. Apesar do brilho da interpretação de Depp, ouso dizer que o jovem de 27 anos Jesse Plemons tem tudo para ser um grande astro de ação dessa nova geração. Além de estar muito bem como o coadjuvante aqui, o ator já mostrou talento nas séries Fargo (2015) e Breaking Bad (2012-2013).
A entrada do agente John Connolly em cena, amigo de infância de Jimmy, começa a mudar o cenário de atuação do criminoso. Com a ambição de crescer no FBI, Connolly realiza uma arregimentação para que o contraventor Whitney seja um informante da polícia contra um inimigo em comum: a máfia italiana. Se a traição era o pior crime cometido entre os membros  da irmandade de Bulger, como se tornar um delator?
De acordo com o filme, a posição de informante de Bulger nunca foi real era apenas uma ficção manipulada por Connolly. O agente é um personagem ambíguo durante toda a projeção, no fundo, ele só queria beneficiar a si mesmo. Com a “proteção” do FBI, James Bulger comete vários homicídios, atentados, comercialização de drogas e se torna um dos mais escândalos casos de corrupção dos Estados Unidos.
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Todo o plano traçado por Connolly é bem elaborado, ele sempre consegue na lábia seus objetivos, tando de um lado quanto do outro. Joel Edgerton consegue captar esse perfil inescrupuloso do policial de modo satisfatório até aparecer uma pedra no seu sapato, o promotor de justiça Fred Wyshak (Corey Stoll). Já a frieza de James surge nos momentos mais conflituosos, pois se alguém aparece em seu caminho, ele extermina. Em contrapartida, sua amabilidade é destacada em relação à família, ou seja, com a sua mãe (Mary Klug), o irmão senador Billy Bulger (Benedict Cumberbatch), o filho Douglas (Luke Ryan) e a esposa Lindsey Syr (Dakota Johnson). Observar essas nuances de Depp no corpo de James é fascinante.
Tanto que a narrativa sustenta que as suas tragédias pessoais pesam na trajetória do seu destino e mudam a sua conduta nos negócios. Cada vez mais sanguinário e impiedoso, James extrapola a cegueira do FBI, perde sua carta branca de informante e começa ser questionado por todo departamento, tanto que faz a farsa de Connolly desmanchar e começa a arruinar o império de ilegalidades da cidade.
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Existem cenas chaves do filme que tentam explicar quem era um dos homens mais procurados da América, entre os seus lados sarcástico e intimidador, características padrões dos vilões do gênero. Logo no início, James ensina ao filho pequeno que o errado não é bater nas pessoas, mas deixar que os outros o vejam fazendo. Em outro momento, ele ameaça a esposa de Connolly por não está de acordo com os esquemas do marido e ainda assusta o agente do FBI John Morris (David Harbour) com uma conversa entre o maroto e o macabro.
Filmes de gângsteres sempre rendem uma boa narrativa cheia de reviravoltas, trapaças, escândalos, violência e inesquecíveis líderes. Aliança do Crime, contudo, não consegue construir esse ícone memorável de poder como em Scarface (1983) e O Poderoso Chefão (1972). Além do fator realidade, a explicação pode estar na colocação de Connolly também como protagonista da história. Quem quiser ir mais afundo no caso, há também o documentário Whitey: United States of America v. James J. Bulger (2014), de Joe Berlinger.

Nota: 4/5

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