Crítica | Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi

Crítica | Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi

Uma mistura de clássico juvenil dos anos 80 com a cultura pop de apocalipse zumbi. É assim que podemos qualificar a comédia trash Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi (Scouts Guide to the Zombie Apocalypse) do quase novato Christopher Landon. Quase porque ele é responsável pela direção do desagradável Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal (2014) e roteirista de Paranoia (2007), Atividade Paranormal 2 (2010), 3 (2011) e 4 (2012).
Acostumado com o gênero terror e provavelmente fã de filmes como Os Goonies (1985) e Conta Comigo (1986), Landon cria uma narrativa extremamente cômica e com boas doses de reflexão sobre amizade. Pois é, o longa não é feito apenas de cenas engraçadas. A sequência inicial, entretanto, já apresenta uma série de galhofas e bizarrices a partir de um servente e um cientista no laboratório. Claro, no meio de tantos erros, dali surge o paciente zero.
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Os zumbis daqui são bem diferentes dos mortos-vivos da série The Walking Dead, por exemplo, eles correm, arremessam as pessoas, têm reações inimagináveis e, óbvio, são muito atrapalhados. Há cenas bastante hilárias, principalmente, a que eles utilizam uma cama elástica para saltar sobre os zumbis (uma sensação de risos histéricos e repulsa, não conto mais não estragar o momento) e quando eles cantam um clássico de Britney Spears para tapear um dos infectados.
O derramamento de sangue é a regra do filme, nada como em Fome Animal (1992), de Peter Jackson, mas o suficiente para agradar os fãs do gênero. Como todo boa comédia com os comedores de humanos e animais – há ótimos momentos com veados e gatos contaminados -, as melhores partes são os tipos mais escrachados de morte, seja com esfregão, pregos, bolas de madeira ou qualquer coisa no meio do caminho.
SCOUTS VS. ZOMBIES
Os protagonistas da jornada são os escoteiros Ben (Tye Sheridan), Carter (Logan Miller) e Augie (Joey Morgan). Os dois primeiros amigos vivem no dilema de deixar o grupo sem ferir os sentimentos do último e do líder Rogers (David Koechner). Acampados na floresta, os garotos só percebem a invasão da cidade muito tarde e correm contra o tempo para se salvarem antes da região ser bombardeada para contenção do vírus.
É difícil fugir dos clichês do atual gênero adolescente, aparecem piadas com seios, virgindade, dor de barriga e a ajudante dos três meninos é a striper gostosa Denise (Sarah Dumont), que passa o filme todo de blusinha branca e short. Por outro lado, ela faz o papel da mulher sagaz, experiente e gentil, pois ensina/incentiva Ben a ir atrás da sua paixão platônica (Halston Sage) e sempre salva os garotos no último momento.
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Com um enredo diferente dos famosíssimos Zumbilândia (2009) e Todo Mundo Quase Morto (2004), Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi consegue ter seus próprios méritos apesar da recorrente situação apocalíptica. Em apenas uma noite de ataque, os zombados garotos se tornam heróis ao salvarem vários jovens em uma festa por conta das suas habilidades de escoteiros. Assim, o escotismo consegue a sua redenção e, claro, mostra sua eficiência perante as dificuldade. Além disso, a amizade e a união dos meninos são os elementos primordiais para suas sobrevivências.
Não é uma obra para ser levada a sério e o roteiro não busca dar muitas explicações, mas pode virar um clássico trash cult teen, assim como o despretensioso Projeto X: Uma Festa fora de Controle (2012), de Nima Nourizadeh (American Ultra: Armados e Alucinados). Sobretudo, no meio de selfies com zumbis, decapitações e muitas gargalhadas há uma boa mensagem por trás e nenhum apelo escatológico.

Nota: 3/5

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