Crítica | Deadpool

Crítica | Deadpool

Sem conhecimento sobre as características do anti-herói Deadpool dos quadrinhos, você pode imaginar se tratar de mais uma história de superpoderosos contra malfeitores na Terra. Não se engane! O personagem é totalmente controverso e o seu humor não tem limites e, muito menos, censuras para nossa total diversão. Desde os minutos iniciais, a partir dos créditos, até o final somos convidados a dar gargalhadas histéricas.
O pontapé inicial é a exclusão dos nomes dos atores, produtores, roteirista dos créditos para apresentá-los em suas colocações clichês de filmes de super-heróis. Desde “alívio cômico” (T.J. Miller) e “vilão com sotaque britânico” (Ed Skrein) até “roteiristas – os verdadeiros heróis aqui”. Isso tudo sobre o pano de fundo de detalhes pouco usuais de umas das cenas futuras, claro, digna dos melhores cartunistas.

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Não é pra menos, fugir dos lugares comuns de batalhas entre o bem e o mal e do modismo dos heróis no cinema é um árduo trabalho. A sacada, portanto, dos autores Rhett Reese e Paul Wernick, ambos responsáveis por Zumbilândia (2009), foi rir de si mesmos. Eles exploram ao máximo o fato do seu intérprete principal ser Ryan Renolds (A Dama Dourada), além das produções do gênero na telona e até a disputa dos estúdios pelos personagens.
Narrada pelo próprio Deadpool, a história não é linear, mas ele explica tintim por tintim da sua trajetória da forma mais explícita, sarcásticas e irônica possível. Seus diálogos com o público são o grande trunfo da produção e funciona todas as vezes.
Se alguém duvidava da escalação do ator canadense para este filme, pode se surpreender positivamente. Ele arrasa como o mercenário e apaixonado Walde Wilson e o seu alter ego Deadpool é fenomenal. Quem diria?

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No meio de violentas cenas, muito sangue e piadas obscenas, há uma história emotiva e de amor do cômico herói com a desinibida Vanessa (Morena Baccarin). A química rola solta entre as sacanagens e cumplicidades do casal. Aliás, todos os personagens desempenham bem seus estereótipos e se encaixam perfeitamente na tonicidade do filme.
Como, por exemplo, os “licenciados” dos X-Men (Stefan Kapicic e Brianna Hildebrand) e a lutadora de MMA Gina Carano, como Angel Dust, que entra muda e sai calada. A interação altiva de Deadpool destaca-os em cena, apesar do pouco carisma de cada um deles sozinhos.
O vilão a ser combatido pelo anti-herói é o bandido da sua própria vida, aquele que o transformou de um trambiqueiro bonitão a uma aberração com poderes autocuradores. Seu objetivo não é salvar ninguém nem nada, apenas a si mesmo de uma vida com um rosto desfigurado, ou melhor, do julgo social. Sua vingança compõe todo o percurso fílmico sem perder o tom.

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O enredo se desenrola com várias referências cinematográficas engraçadas, como Lanterna Verde (2011) – primeira incursão heroica do ator no cinema-, 127 Horas (2010), X-Men Origens: Wolverine (2009), X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014). Nesse jogo de humor, ainda há espaço para os alertas metalinguísticos ao público.
As surpresas e situações hilárias brotam o tempo toda da tela. A língua afiada de Deadpool não polpa ninguém, nem seu próprio interprete e não mede esforços para arrancar risos atrás de risos. O espectador mais conservador pode torcer o nariz ou, tomara que seja esta a opção, liberar toda sua repressão social de forma catártica.
Ryan Reynold encontrou o papel da sua vida, no qual ele desliza com maestria e contamina toda a plateia com suas tiradas. Finalmente, o tipo de trabalho que poderá permanecer na memória dos cinéfilos. Até porque, ao terminar a sessão, a vontade é de assistir tudo de novo e checar se não deixo nenhuma referência escapar. Ou até mesmo reencontrar o próprio Stan Lee disfarçado lá no meio.
Apoiado num competente roteiro, o desconhecido diretor Tim Miller faz um excelente trabalho para o seu primeiro longa-metragem. Deadpool apresenta boas cenas de ação, drama, romance e, principalmente, de risadas soltas e despreocupadas. Não usa o recurso 3D e mesmo assim nos brinda com grandes efeitos. Se Guardiões da Galáxia (2014) segurava o posto de produção mais divertida de super-heróis, ele acaba de perdê-lo. Mas, claro, para os maiores de 16 anos.

Nota: 4

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