Crítica | Rua Cloverfield, 10

Crítica | Rua Cloverfield, 10

Lembra-se de atores poucos conhecidos numa festa, uma filmagem caseira e a sensação de não saber de nada que está acontecendo? Cloverfield: O Monstro (2008) causou bastante burburinho no seu lançamento por causa da sua estética e grande suspense, agora, seis anos depois estreia uma sequência. É bom logo esclarecer que este filme não é uma continuação, melhor seria chamá-lo de um novo episódio.
Com atores, localidade e enredos diferentes, Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Labe) continua com suas doses de suspense e mistério elevadas. Pronto. É isso. Não há comparações entre as duas produções e não é necessário ter assistido a primeira para entender ou se assombrar com os acontecimentos deste filme.
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Passivamente durante as primeiras cenas, acompanhamos a jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) arrumar as suas coisas em uma caixa e sair dirigindo sem destino pela estrada. Algumas informações sobre ela são lançadas aos expectadores e montamos nossas primeiras expectativas da personagem. De repente, um carro a tira da estrada e ela capota.
Quando acorda, Michelle está em um colchão no canto de uma sala vazia e com a perna quebrada algemada em um cano. As suas outras roupas estão dobradas junto com o celular e a carteira em poucos metros de distância. Em desespero, a jovem tenta alcança-los e pedir ajuda. Seus questionamentos são os nossos e suas crenças também, só que já sabemos um pouquinho mais do que ela, mas deixe-a guiar a história.
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Ela ouve passos pesados se aproximando e tenta se proteger. Grande e armado, Howard (John Goodman) aparece com um prato de comida e um tom quase amigável, porém duvidoso. Ele conta que existe algo tóxico no ar que está matando as pessoas e eles estão seguros em um bunker. Portanto, ele salvou a vida da jovem. Será?
Está montada a maior parte do suspense do filme. Quem são essas pessoas? Quais são seus objetivos? O que realmente está acontecendo do lado de fora? Se você acordasse algemada em um lugar estranho, acreditaria nessa história de fim dos dias? Nesse esquema há ainda um terceiro elemento: Emmett (John Gallagher Jr.). Supostamente, o rapaz conhecia o bunker de Howard e implorou por abrigo assim que ameaça externa surgiu.
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Todo o filme é um jogo de desconfiança e mentiras, traçadas por poucas evidências em cena. O enredo oscila em ápices e calmarias, desavenças e convivência, os personagens são controversos e nunca estão sossegados com as circunstâncias. Não era para menos, não é mesmo? Howard é um homem excêntrico, metódico, paranoico e antigo militar da força aérea. Suas falas e intenções são dúbias e o roteiro  brinca bastante com isso.
Todos os atores são excelentes e se entregam aos anseios e aos desespero dos personagens. É um filme de reviravoltas, mais de uma, esteja preparado, mas é um ótimo passeio por essas oscilações. Dirigido pelo estreante Dan Trachtenberg, um dos roteiristas é Damien Chazelle indicado ao Oscar por Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014), portanto, a história é bem afinada até certo ponto.
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O final compromete a construção de suspense e poderia ser tranquilamente retirado sem comprometer a boa história, antes dos 15 ou 10 últimos minutos. Por outro lado, é exatamente este final mais ou menos e bastante anticlímax o motivo da repetição do nome do filme.
No fim das contas, se existe realmente um ataque do lado de fora do bunker, você precisa conseguir sair dele para comprovar seu perigo e enfrentá-lo, não é? Quem consegue fugir para sempre? Desde a primeira cena até a última é esta a pergunta que permanece em suspense. Vale a pena tentar decifrá-la.

Nota: 3.7/5

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