Crítica | O Bom Gigante Amigo

Crítica | O Bom Gigante Amigo

Steven Spielberg está cansativo ultimamente. De 2011 para cá, o cineasta tem realizado filmes de grande potencial técnico, mas modorrentos e pouco cativantes. Cavalo de Guerra (2011), Lincoln (2012) e Pontes de Espiões (2015) são obras vigorosas, mas presas a longas narrativas sem conseguir se conectar com o espectador.
O que, claro, não impediu o veterano diretor de configurar entre os indicados ao Oscar nos últimos anos, no entanto, deixou de apresentar obras atrativas e inesquecíveis ao grande público, vide Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993) e A.I. – Inteligência Artificial (2001).

O Bom Gigante Amigo

Com O Bom Gigante Amigo (The BFG), Spielberg volta ao mundo onírico infantil e conta com prodigiosa roteirista Melissa Mathison, responsável por E.T., o Extraterrestre (1982). Além disso, a história é baseada no livro do escritor britânico Roald Dahl, autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971/2005) e Matilda (1996). Ambas agradáveis obras não somente para o público infantil.
Todo esse repertório de nomes, entretanto, não foi suficiente para fazer de O Bom Gigante Amigo um filme realmente apropriado, ou melhor, digno de seus respectivos colaboradores. Primeiro, a história demora a engrenar, a menina Sophie (Ruby Barnhill) é levada do orfanato, onde não é feliz, por um gigante (Mark Rylance) para a Terra dos Gigantes.
Por lá, os dois travam alguns diálogos sem muita importância, ele tenta protegê-la dos outros gigantes – por sinal, bem maiores que ele – e, por fim, ela passa a confiar nele. O gigante amigo fala errado, mas sabe ler. Ele é vegetariano, por isso, não a devorará. Seu trabalho é caçar sonhos e modelá-los na cabeça dos humanos.

O Bom Gigante Amigo - Steve Spielberg

Segundo, percebemos uma narrativa sem perspectiva e com muitas falhas de conexão, tanto no roteiro quanto de montagem. Os acontecimentos são arrastados sem desencadeamentos específicos e muitas cenas se perdem ao propósito. Sophie passa a chamá-lo de BFG (Big Friendly Giant), após uma confissão do próprio gigante, e cria-se uma amizade entre os dois.
Assim, vemos a junção de dois serem solitários no mundo, a menina órfã sem amigos e o gigante que sofre bullying dos seus companheiros. Isso o torna diferente aos olhos da menina e do público. Então, surge uma conexão e eles passam a terem os mesmo “inimigos”. Apesar de raptada do orfanato, logo, a menina prefere ficar com o novo amigo gigante e arranja um plano para se livrar dos outros, que ameaçam sua presença na mágica Terra dos Gigantes.
O conto se desenvolve de forma maçante e os diálogos entre eles são bem pueris, pontuados para ligar à próxima ação. Não possuo mais os olhos de uma criança, no entanto, não acredito que seja tão divertido quando os outros filmes já citados, em que os pequenos e os bem mais grandinhos podiam realmente se extasiar e surpreender com o enredo.

O Bom Gigante Amigo com Mark Rylance

Nos últimos 30 minutos, a história começa a despertar algum entusiasmo ao construir situações cômicas, interessantes e, finalmente, alguma emoção em relação à amizade entre uma menina e um velho gigante. É fácil perceber que o filme poderia ter menos minutos, ser mais redondo e entregar um espetáculo mágico ao jovem público, mas não o faz.
Os efeitos visuais são ótimos e as feições de Mark Rylance, ganhador do Oscar este ano por Pontes de Espiões, encantadoras. Não é fácil criticar Spielberg, mas por que essa linguagem tão lenta e sem encanto para contar uma bonita história de amizade?
Quando comparamos com A Invenção de Hugo Cabret (2011), de Martin Scorsese, ou Jumanji (1995), de Joe Johnston, – ótimos exemplos de longas infantis -, O Bom Gigante Amigo parece um filme sem aventura ou emoção. Péssima constatação para uma obra voltada para toda família. Será que a versão em desenho, de 1989, era melhor neste aspecto?

Nota: 2,5/5

 

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