Crítica | Bruxa de Blair (2016)

Crítica | Bruxa de Blair (2016)

Dezessete anos atrás, o gênero terror foi surpreendido pelo original e sufocante A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999). Com a narrativa em estilo de documentário e “montado” a partir de fitas achada na floresta Burkittsville, o filme apresentava as gravações de três amigos estudantes de cinema, Heather Donahue, Michael C. Williams e Joshua Leonard, contando a história por trás da lenda da bruxa na antiga cidade de Blair.
O mistério e tom realístico em cima do filme era tanto que os atores não tinham um roteiro padronizado e até mantiveram os seus nomes reais. Se você não viu o primeiro longa, veja. O sucesso estrondoso de bilheteria levou a uma sequência desastrosa no ano seguinte, o Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras (Book of Shadows: Blair Witch 2, 2000). Dirigido pelo documentarista Joe Berlinger, a obra nada lembrava o primeiro filme e fugia do formato seguindo a visão do personagem.

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Pouco depois, o estilo found footage apareceu em diversas produções bem-sucedidas, como [Rec] (2007), Cloverfield: Monstro (2008) e Atividade Paranormal (2007). E, após tantos anos, o novo  Bruxa de Blair (Blair Witch) resgata a primeira história e promete uma continuidade, ou ao menos, uma resolução depois dos acontecimentos do primeiro filme.
Com direção de Adam Wingard – conhecido pelos filmes de terror Você é o Próximo (2011) e V/H/S (2012) -, o novo projeto traz o irmão mais novo de Heather, James (James Allen McCune), em busca de reencontrar sua irmã desaparecida. Assim como no primeiro longa, os segundos iniciais mostram a mensagem que os cartões de memória foram encontrados ao redor da floresta em 2010 e editados para este filme. Original, não?

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A primeira cena é uma filmagem de Lisa (Callie Hernandez), amiga de James, assistindo com ele a um vídeo no Youtube, carregado a partir de uma fita encontrada na tal amaldiçoada floresta, no qual aparece uma figura disforme. Ele está certo que é Heather.
Desta vez, a câmera volta às mãos dos personagens e todos possuem sua própria microcâmera em cima da orelha, além de uma câmera maior e até um drone para adentrar a floresta. Esta distribuição de gravações mata grande parte do envolvimento com o filme e perde o sentido do seu pseudo estilo de filmagem.
Isso porque os cortes entre uma e outra gravação são muitos e por demais editados, sendo a diferença entre uma gravação de fora e essa passo-a-passo quase nula. Segundo, o aviso de edição do início não acompanha o próprio roteiro, já que alguém viu antes e editou cerca de oito câmeras diferentes – se eu não perdi as contas – e deixou várias interferências e ainda colocou exatamente cada uma no mesmo ponto de ação, para termos ângulos diferentes da mesma cena, por vezes, sem necessidade.

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Além de Lisa e James, a “aventura” conta com mais um casal de amigos, Ashley (Corbin Reid) e Peter (Brandon Scott). Os quatro juntos pretendem acampar na floresta e procurar a tal casa do vídeo na internet, mas, claro, que nenhum deles acredita nas histórias sobrenaturais da antiga lenda. James tinha apenas quatro anos quando a irmã desapareceu, já Peter participou das buscas com a polícia na época, mas nunca tiveram sorte de encontrar alguma pista.
Antes de entrar na floresta, eles vão conhecer a pessoa que colocou o vídeo online para levá-los até o local do objeto achado. Assim, eles encontram Lane (Wes Robinson) e Talia (Valorie Curry), estranhos personagens que possuem a bandeira dos Estados Confederados na parede da sala. Vale ressaltar que Peter e Ashley são negros. Isso já causa um estranhamento entre eles e o desconforto aumenta quando a nova dupla pede, ou melhor, exige acampar juntos com eles para levá-los até o local desejado.
Daqui para frente, o filme é quase um déjà vu do primeiro. O rio, os ruídos a noite, os desaparecimentos, a perda da noção do tempo. A diferença é que existem mais personagens, mais gente para assustar e morrer, além de uma leve insinuação de romance entre os amigos, mas perdida no meio de gritos e sustos. É possível pular da cadeira uma ou duas vezes, mas no geral tudo é muito previsível.

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Os atores não transmitem a sensação de pânico tão bem montada no original. Parece que a gente revive toda a experiência já conhecida, desde o aparecimento dos símbolos vodus na floresta até o fim. Existem momentos de claustrofobia e repugnância, mas nenhum deles acrescentam algo à história. Essas cenas apenas tentam causar algum sensação de desconforto no espectador. Diferente do primeiro, os efeitos especiais são utilizados e mostram a tal bruxa, algo que era deixado à nossa imaginação.
Todos os méritos do primeiro filme são quebrados nessa falsa continuação. Ao invés de acrescentar algo ao espectador de anos atrás, Bruxa de Blair faz com que a gente sinta saudade de algo bom e a resolução “prometida” se desvanece no ar. Quase vinte anos depois e tudo que evoluiu foi o aumento das possibilidades de fazer uma gravação? O roteiro de Simon Barrett (Você é o próximo) carece de criatividade. Por que fazer o filme para contar exatamente a mesma história de forma canhestra?

Nota: 2/5

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