Crítica | Doutor Estranho

Crítica | Doutor Estranho

De 2008 para cá, a Marvel Studios/Disney lançou 12 filmes dos seus super-heróis trazendo para o cinema maravilhosas e milionárias sequências de ação, aventura e ficção científica. Seu 13º lançamento, Doutor Estranho (Doctor Strange) introduz as forças místicas e todo um novo mundo de mistérios e energias malignas de modo objetivo e cômico.
Os minutos iniciais já nos apresenta dois principais personagens da trama em uma luta em que a gravidade é invertida, os edifícios se desmontam e se reconstroem, as armas são produzidas com as mãos e os adversários saltam de uma dimensão a outra com apenas um gesto no ar. Uma amostra de quais serão os futuros inimigos do herói e do espetáculo visual dos combates durante a projeção.
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Defendido por um seguro e cativante Benedict Cumberbatch, Stephen Vincent Strange é egocêntrico, arrogante e um dos melhores neurocirurgiões de Nova York. Toda a sua personalidade é muito bem construída com diálogos fluídos e sarcástico, em grande parte com sua colega de trabalho e ex-caso amoroso Christine Palmer (Rachel McAdams).
Ela também é a única ligação de Doutor Estranho com a sua vida anterior e com quem ele consegue falar da sua transformação durante o filme. O percurso do herói começa quando o extravagante médico sofre um acidente de carro e perde os movimentos das suas mãos, sua maior e preciosa ferramenta de trabalho. Resoluto em não se tornar um clínico geral, Stephen gasta todo o seu dinheiro em tratamentos e tentativas falhas.
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Por meio do seu fisioterapeuta (Kobna Holdbrook-Smith), Stephen descobre a história do paraplégico Jonathan Pangborn (Benjamin Bratt) que foi ao Karma-Taj e voltou curado das sua lesão na medula. Determinado a encontrar uma cura, ele parte para a Ásia atrás do local sagrado, onde encontra o Ancião (Tilda Swinton). Lá, ele conhece um mundo de magia e segredos sobre o espaço-tempo no universo.
Com um elenco estrelado que ainda possui os nomes de Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) e Mads Mikkelsen (A Caça), Doutor Estranho utiliza muito bem algumas piadas, como já estamos acostumados com os outros filmes da Marvel, e compõe uma jornada de autodescobrimento e transformação do neurocirurgião Stephen Strange ao surgimento do herói Doutor Estranho.
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Todos os itens que compõem o já conhecido personagem vão se integrando a história de forma leve e agradável, assim como a sua ligação com os outros elementos da franquia, como a posse de uma das seis joias do infinito. Além das ótimas cenas de luta e dos fortes personagens, o roteiro consegue explorar as discussões sobre os loopings temporais e os espaços tempo, algo que nos remete aos recentes filmes A Origem (2010), Interestelar (2014) e até Looper: Assassinos do Futuro (2012).
A mistura entre crença, magia e ciência é apresentada de forma simples e destacada como principal elemento de transformação de um cético e inteligente ser humano em um grande mago. Ou seja, apesar de um homem normal, o conhecimento e a fé tornaram o personagem em um dos mais poderosos seres neste universo de Vingadores e Defensores da Galática.
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Esta é, portanto, uma ótima obra de introdução de um personagem neste mundo de super-heróis, com bons diálogos, momentos engraçados e grandes amarras entre a realidade e os mistérios do universo. Menos cômico que o Homem-Formiga (2015), Doutor Estranho apresenta mais ação e consegue transmitir uma mensagem de autoconhecimento, coragem e, ainda, deixa algumas belas reflexões pelo caminho.
A carga política dos Vingadores é deixada de lado e a fantasia assume grande parte dos questionamentos entre como a ação dos magos afeta ou não o nosso mundo. As duas cenas pós-créditos acrescentam à história dois andamentos futuros, tanto a participação do personagem em Thor: Ragnarok (2017) e em Vingadores: Guerra do Infinito (2018 e 2019), quanto na construção de um novo adversário e, quem sabe, vilão. Vamos aguardar. Tem valido a pena esperar pelas surpresas da Marvel.

Nota: 4/5

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