Crítica | Animais Fantásticos e Onde Habitam

Crítica | Animais Fantásticos e Onde Habitam

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Quinze anos após o inaugural mundo mágico de J. K. Rowling chegar ao cinema com Harry Potter e a Pedra Filosofal (2011), a autora britânica nos apresenta novos rostos e o mundo da magia na década de 1920, muito antes da profecia do menino bruxo existir. Spin-off da bilionária saga, Animas Fantástico e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them) tem um enredo simples, mas encanta exatamente pelas suas criaturas fantásticas e as relações entre os personagens.
Em sua estreia como roteirista, Rowling consegue dosar bem o suspense, o desvelar dos mistérios do passado e os motivos da ascensão de Você-Sabe-Quem no futuro. Como ainda temos mais quatro filmes, é claro que tudo isso é muito sutil e apenas indícios, mas nomes como Alvo Dumbledore e Leta Lestrange estão por lá. 
A motivação inicial poderia ser melhor, afinal, o filme inteiro parte da premissa da visita de Newt Scamander (Eddie Redmayne), um introvertido empregado do Ministério de Magia de Londres, a Nova York em 1926 com um mala cheia de criaturas mágicas (na verdade, um verdadeiro zoológico e muito mais impressionante que a bolsa da Hermione em Relíquias da Morte).
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Quando Niffler ou Pelúcio, atraído por coisas brilhantes, escapa da mala, ele arruma uma confusão no banco e várias outras criaturas fogem. A partir de então, Newt tenta recuperá-los, enquanto Tina Goldstein (Katherine Wasterston), uma ex-Auror do Congresso de Magia dos Estados Unidos (MACUSA), testemunha o ocorrido e espera reaver o seu antigo posto de trabalho ao denunciá-lo.
Na confusão do banco, Newt também conhece o ex-soldado e aspirante a padeiro Jacob Kowalski (Dan Fogler) – o melhor personagem do filme, claro, depois das adoráveis criaturinhas. Após ser atacado por uma dos animais mágicos, o trouxa ou “No-Maj” (como chamam os norte-americanos)  passa acompanhar o protagonista em sua busca e acaba por rouba todas as suas cenas.
Diferente de Harry Potter, em que a maioria dos acontecimento se passava em uma sociedade bruxa completamente fechada, neste filme os bruxos coexistem na mesma cidade em que todos os trouxas e temem por sua segurança, com receio de desencadear um guerra. Outra guerra, na verdade, pois o filme se situa bem no período pós-guerra e antes da crise de 1929. Aliás, neste período, ocorre uma rebelião no mundo bruxo exatamente pela discordância de Gellert Grindelwald (Johnny Depp) e seus seguidores de viverem nas sombras, assim como ocorrerá com Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.
Neste cenário ainda temos a investigação sobre uma misteriosa força que anda destruindo Nova York às escondidas. O investigador Percival Graves (Colin Farrell) manipula o medonho Credence (Ezra Miller), uma estranho rapaz abalado por sofrer maus-tratos da religiosa mãe adotiva Mary Lou (Samantha Morton), para ajudá-lo a encontrar o responsável. Quem já viu Precisamos Falar sobre o Kevin (2011) sente um arrepio só de ver Ezra Miller em cena. O olhar de psicopata desajustado do ator parece demasiadamente real.
Por sinal, o filme todo é bastante sombrio, violento e destrutivo. São tantas destruições e escombros desmoronando, que me por alguns segundo me senti em um filme de super-heróis/gladiadores. David Yates (Harry Potter e as Relíquias da Morte) deve ter se inspirado em Zack Snyder (Batman vs. Superman: A Origem da Justiça). Só que aqui, pelo menos, eles usam as varinhas para consertar a bagunça.
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Neste primeiro momento, J. K. Rowling começa a explorar as diferenças entre o mundo bruxo britânico e norte-americano, como comportamentos e interdições, mas não entra ainda no mérito da tensão política. Outra dinâmica da história é a grande parte dedicada ao trouxa Jacob acompanhando com olhos de encantamento e espanto aquele mundo, assim como nós. Quando ele conhece a telepata irmã de Tina, Queenie (Alison Sudol), a química entre os dois é instantânea, assim como em todas as outras cenas.
Se a aventura, os mistérios, o suspense e as relações humanas não são o bastante, se encante profundamente com a relação de Newt com as suas criaturas. Ele tem um tipo de Groot (sim, de Guardiões da Galáxia) chamado Bowtruckle, que é um amável galho com folhinhas (já podem providenciar o bonequinho!), e, claro, ainda tem os mais estonteantes, como a enorme hipopótamo Erumpent e o maravilhoso Thunderbird, entre outros.

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Animais Fantástico e Onde Eles Habitam consegue nos prender nos detalhes, nas cenas sensíveis e cômicas, além de nos envolver com as peripécias dos quatro aventureiros. As motivações de Newt para ir a Nova York eram fracas, mas ele criou uma divertida aventura e uma ligação para os segredos do mundo bruxo. Assim, até para quem não era fã da Saga Harry Potter, as poucas mais de duas horas passam como uma brisa fresca, ainda mais com as atuações breves, porém importantes, de Ron Perlman (Hellboy) e Jon Voight (Missão: Impossível).
É difícil reclamar dos olhos brilhantes de Redmayre ao contracenar com suas criaturas, em contrapartida ele e sua companheira de cena Tina não dão liga. A outra dupla, Jacob e Queenie, ganha muito mais os nossos corações. Amizade, sagacidade e coragem transbordam pelas falas e ações dos personagens, não são Harry, Rony e Hermione, mas é pura fantasia e de grande qualidade (nem um pouco infantil ou juvenil). A versão 3D, entretanto, pouco contribui para ampliar o espetáculo. Qual a melhor escola de magia Ilvermorny ou Hogwarts?

Nota: 4 / 5

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