Crítica Netflix | Quase 18

Crítica Netflix | Quase 18

Existem momentos na vida em que uma sequência de acontecimentos nos fazem querem explodir, ou melhor, desaparecer do mundo, não é mesmo? Todos nós já passamos por isso e, por mais que todos digam e a gente saiba que esta sensação vai passar, no exato momento é inacreditável. Com maestria, a jovem atriz Hailee Steinfeld (Bravura Indômita) consegue nos envolver nessa dor e desesperança em Quase 18 (The Edge of Seventeen), escrito e dirigido por Kelly Fremon Craig (Recém-Formada).
Com ares de filme alternativo que podem ser comparados a Juno (2008) e O Maravilhoso Agora (2013), por conta da trajetória de amadurecimento de seus protagonistas, Fremon traça um cativante e emotivo retrato da juventude e consegue passar uma mensagem ao mesmo tempo profunda e positiva. A narrativa começa com a declaração espontânea e desesperada de Nadine (Hailee Steinfeld) para o seu professor Mr. Brune (Woody Harrelson) sobre seu pensamento suicida.

Para compreendermos como a protagonista chegou a este momento, voltamos à sua infância, ao início da adolescência, aos traumas e chegamos ao ponto de virada. Assim como todo enredo de jornada à maturidade, um acontecimento desencadeia vários obstáculos e o grande dilema é como lidar com isso. Se Ellen Page e Miles Teller conseguiram encantar o público, Hailee tem um carisma apaixonante em cena e carrega o filme inteiro, com ajudinha de Harrelson.
Em Quase 18 (não gosto da tradução em português porque tira a dramaticidade do enunciado), o roteiro chama atenção pela leveza de tratar de assuntos socialmente pouco discutidos, como luto, instabilidade emocional e solidão. Filmes sobre adolescência tende a cair em obviedades, mas quando conseguem deslocar algumas linhas são os mais deliciosos de assistir. Uma vez que fazer descobertas é um das coisas mais encantadoras de se estar vivo, não é mesmo?

Ao “perder” sua melhor e única amiga, Krista (Haley Lu Richardson), para os braços do seu irmão Darian (Blake Jenner), Nadine se sente desamparada e traída. Sua redoma de percepção do mundo se quebra e ela passa a ter que encarar alguma situação de forma diferente. Duas pessoas são importantíssimas nesta “nova” jornada, o professor já citado e o colega de classe Erwin (Hayden Szeto).
Woody Harrelson e Hailee Steinfeld têm uma dinâmica ótima no filme. Ao mesmo tempo em que desenrola uma relação de pupila e mestre, também surge uma cumplicidade de forma jocosa e pouco interessada, mas são os melhores momentos e os mais cômicos do longa. Família, relacionamentos, sentimentos são todos jogados e entrelaçados na tela e desenvolvidos calmamente.

O ponto alto de Quase 18 é acompanhar Nadine por suas transições, revoltas e fúrias. O filme te convida a voltar à época da juventude e são 104 minutos sem equívocos e com uma voz impositiva que diz: amadurecer é se colocar em situações de risco, ou pelo menos, tentar algo inédito. Você sorri, sente um aperto no peito e respira fundo porque as nossas aprovações nunca param de chegar, mas com o sorriso de Hailee fica mais fácil se sentir encorajada(o).
Highlights:
  • Hailee Steinfeld foi indicada pela primeira vez ao Globo de Ouro por Quase 18.
  • Blake Jenner participou de duas temporadas de Glee como Ryder.
  • A versão de Howie Day para a canção ‘Help’ dos Beatles do trailer não toca no filme.
  • Vale a penas escutar toda a trilha sonora de Quase 18, com ‘Save Me’, de Aimee Mann e ‘You May Be Right’, de Billy Joel.
  • Existe uma referência ao filme O Grande Lebowski (1998).

Nota: 8 \ 10.

Share this: