Crítica Netflix - Quando Nos Conhecemos

Crítica Netflix – Quando Nos Conhecemos

A mistura de romance e viagem no tempo não é novidade no cinema, dezenas de filmes com esta premissa renderam excelentes obras ao longo do anos, como, por exemplo, Feitiço do Tempo, Efeito Borboleta e Questão de Tempo. A possibilidade de saber o que teria acontecido se aquele “e se…” tivesse se tornado realidade é tentadora, não é verdade? Quantas vezes a gente já não desejou voltar no tempo e tomar decisões diferentes baseando-se no conhecimento de agora? É exatamente assim que começa Quando nos Conhecemos (When We First Met, 2018), uma agradável comédia romântica lançada pela Netflix.
Apesar de não ter o carisma de Bill Murray em Feitiço do Tempo (1993), Adam DeVine (do seriado Workaholics) carrega a trama de forma humorada na pele de Noah. A saga começa durante o discurso de noivado de Avery (Alexandra Daddario) e como ela conheceu o seu futuro marido. De repente a câmera foca no sorriso amarelo de Noah e nos leva para as suas memórias de três anos atrás em uma  festa de Halloween, na qual os dois se conheceram. 
Um começo meio sem graça sobre dois jovens universitários que se esbarram por acaso e, no meio de hits de 2014 (Sexy and I know it), começam a conversar despretensiosamente sobre nada específico. Contudo, eles descobrem algumas coisas em comum e, por fim, mudam de cenário para um bar de jazz, onde Noah apresenta seus dotes de músico ao piano e Avery deseja registrar a noite em uma velha cabine fotográfica. Os dois vão para casa de Avery e o final não é bem o que Noah esperava.
Voltamos ao ano de 2017, Avery termina o seu discurso ao lado do seu noivo Ethan (Robbie Amell). Ao que parece, aquela noite foi o começo de um longa amizade e, no dia seguinte, Avery e Ethan se conhecem e todo o resto culmina na atual festa noivado. Inconformado com a trajetória dos acontecimentos, Noah afoga suas mágoas no álcool e admite ainda estar apaixonado pela Avery de exatos três anos atrás. 
Como todo bom filme de viagem no tempo, é necessário um pouco de pó de pirlimpimpim ou, pelo menos, uma paranormalidade no ar para a transição acontecer. Noah, portanto, entra na cabine fotográfica para relembrar a memorável noite e resmunga seus secretos desejos românticos. Até aqui tudo é bastante clichê e desinteressante, ou seja, os 20 primeiros minutos do filme tenta contextualizar de forma apressada os interesses do protagonista e nos aproximar da ideia de um possível romance.
Mal comparando, as escolhas de Evan (Ashton Kutcher) em Efeito Borboleta (2004), ao voltar no tempo, sempre causava reviravoltas assustadoras e irremediáveis desdobramentos. Já na comédia de Ari Sandel (em seu segundo longa-metragem) tudo se mantém bastante semelhante e apenas mudam as nuances do relacionamento entre Avery e Noah, sendo às vezes cômico, outras banal.
Ao voltar pela primeira vez, Noah tenta fazer tudo da mesma forma e somente mudar o final, o que não dá certo. Com a ajuda do seu amigo Max (Andrew Bachelor), que aliás traz vida para o filme com a sua presença, Noah investe em Avery novamente, mas o plano não resulta em algo positivo. Desta maneira, Noah continua a persegui-la, mas Ethan também está sempre presente na vida da moça. 
Após o reflexivo e romântico Questão de Tempo (2015), em que Tim (Domhnall Gleeson) usa o seu poder hereditário de viajar no tempo para reconquistar a que seria sua parceira ideal, é difícil um filme com a mesma perspectiva causar o mesmo impacto no público. Os roteiristas, por certo, encontram outra saída para salvar o casal sem química e no meio da narrativa Noah, finalmente, descobre qual a sua real motivação.  
Serão necessárias mais duas voltas no tempo – no total, umas cinco – para que o protagonista aceite a sua realidade. No final das contas, Noah não precisava voltar no tempo para conseguir ser feliz, mas sim enxergar que poderia trilhar outros caminhos para encontrar o que desejava. Deste modo, o roteiro não cai na armadilha de um homem fazer qualquer bobagem monumental e conquistar a mulher apenas porque ele quer muito, vide aqui quase todas as comédias românticas.
Você lembra do final de Um Homem de Família (2000) com Nicolas Cage? (Não é bem uma viagem no tempo, mas tem um deslumbre de volta ao passado e se você perdeu esse filme ponha na sua lista). Lá como aqui, o retorno no tempo não é para a mudar a realidade em si, mas para que o personagem perceba o que antes lhe era invisível e criar uma novo presente.
Apesar dos desencadeamentos rasos, como a permanência da cabine fotográfica sempre ao alcance do personagem, a história transcorre de forma leve e, como citado no início, agradável no final. Após acompanhar Noah por duas horas, é difícil não querer que ele seja um homem realizado amorosamente.   
Quando Nos Conhecemos não tem a pretensão de ser memorável ou dramático, contudo cumpre seu papel como um entretenimento divertido, embora a escolha de Alexandra Daddario não tenha sido a melhor. Desde a sua destacada estreia em Percy Jackson (2010), a atriz continua a chamar atenção pelos seus olhos cor de céu, marcantes para uma modelo, mas vazios no campo de atuação. Ainda falta muito carisma para a jovem encarar uma protagonista, o que afinal de contas é essencial para fazer uma comédia romântica deslanchar.

Nota: 6\10.

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